Ecologia e saúde humana – juntas nas construções

Por Allan Lopes
Diretor técnico do Selo Casa Saudável

 

A arquitetura, e os espaços construídos, devem ser feitos para as pessoas e não apenas para o meio ambiente.

Vivemos uma crise energética porque as pessoas não sabem economizar energia. Porque as pessoas terminam seus dias sem energia de viver. Vivemos uma crise hídrica porque as pessoas não sabem mais usar os recursos naturais, mas porque elas desaprenderam como utilizar seus recursos pessoais, são mais robôs do que seres humanos.

Os prédios e as casas, as salas e as fábricas, precisam relembrar que apenas nos esconder da chuva, do vento e do vizinho ao lado, não nutre a alma, não regenera o corpo, não fortalece as relações interpessoais, não aumenta a sabedoria.

Nossa sociedade é a mais estressada e depressiva de toda a história. Lemos as revistas e livros de autoajuda, tomamos os remédios para combater os efeitos colaterais destas mazelas, como pressão alta, câncer, diabetes. Mas esquecemos que um espaço silencioso, livre de químicos com iluminação natural, são os antídotos básicos destas doenças.

Sob a bandeira de um edifício sustentável e energeticamente eficiente criamos espaços com ar viciado de químicos que competem com as funções básicas do nosso organismo nos impedindo de sermos saudáveis. Criamos lapadas inteligentes e econômicas que auxiliam o aumento de doenças da pele, problemas coronarianos, perda de acuidade visual.

E qual a conta sobre o meio ambiente de uma sociedade doente?

Milhões de toneladas de recursos não renováveis para construção de mais hospitais para doentes que nunca existiriam em espaços saudáveis.

Bilhões de megawatts em energia para produção de remédios que nunca precisariam ser tomados por pessoas saudáveis.

Trilhões de dólares em pesquisas e campanhas publicitárias para tentar diminuir, mitigar ou curar doenças que nunca seriam alarmantes se nossas cidades e casas fossem antes de sustentáveis, saudáveis.

Séculos de anos somados de esperas em salas de consultório, visitas a laboratórios, estadias em hospitais, enquanto poderíamos estar desfrutando de maior qualidade de vida.

Lágrimas e dores são mais insustentáveis que prédios inteligentes. Sorrisos saudáveis tem menos impacto no meio ambiente que materiais ditos ecológicos.

A construção, mais que sustentável precisa ser saudável e resgatar a essência de cada ser humano, em sua psique e sua fisiologia.

Começamos a revolução verde do lado errado, o de fora.

 

Fonte:  Selo Casa Saudável

 

 

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