Prédios que “comem” a poluição do ar

Notícia de 19/3/2015

 

Em 2005, quando Nova York estava pronta para lançar um novo plano de crescimento sustentável, o PlanNYC, um dado interessante foi divulgado pela prefeitura: 78% do total das emissões de gases de efeito estufa da cidade vinham da energia usada nos seus edifícios. Ainda mais intrigante para o entendimento do número em questão era que apenas 2% dos prédios eram responsáveis por 50% delas. Aquecedores, boilers, iluminação e o consumo de energia elétrica pelos aparelhos domésticos de 8 milhões de habitantes entraram em cena como vilões.

Com o objetivo de reduzir em 30% as emissões na Big Apple até 2030, criar parques, expandir a malha cicloviária e ampliar áreas para pedestres (como já tem sido feito!) resolve apenas parte do problema. A solução também passa, de fato, por repensar a arquitetura. Usar materiais recicláveis na construção, utilizar lâmpadas de LED, investir em energia solar ou estimular a criação de telhados verdes são ótimos exemplos disso. Mas e se cidades que enfrentam o mesmo desafio que Nova York pudessem construir edifícios mais inteligentes que, além de não contribuírem para o aquecimento global, ajudassem a mitigar seus efeitos como filtros contra a poluição atmosférica?

A notícia boa é que uma resposta para isso já está sendo desenvolvida em alguns lugares. Uma delas, por incrível que pareça, na celebrada e poluída Cidade do México (foto de abertura). Por lá, o prédio do hospital Manuel Gea Gonzales, também conhecido como Torre de Especialidades, possui uma fachada de noventa metros de largura que “come” a poluição do ar e é capaz de mitigar diariamente emissões equivalentes a mil automóveis.

 

mexicohospital

 

Isso só é possível porque as telhas em forma de coral (foto acima) que compõem a fachada são revestidas com dióxido de titânio, um pigmento que reage com a luz solar quebrando as partículas de dióxido de carbono. “Quando os raios UV (ultravioletas) atingem a fachada, uma reação converte os óxidos de nitrogênio, que tornam a poluição mais espessa, em água e nitrato de cálcio, substâncias mais inofensivas”, explica a arquiteta berlinense Allison Dring, co-criadora do projeto desenhado pelo escritório Elegant Embellishments, na Alemanha. De acordo com ela, o material não desgasta e sua propriedade limpadora pode durar por tempo indefinido .

Para Dring, a fachada ainda não é uma solução definitiva para uma cidade que conta com 5,5 milhões de carros, caso da capital mexicana, mas mostra um caminho novo para pensar o papel das edificações nas metrópoles. “O design biomimético, inspirado nos corais, também ajuda. Os corais cumprem muito bem essa função de esponjas para os detritos e partículas nos oceanos. Um prédio, claro, não é o suficiente para acabar com a poluição na cidade, mas, no futuro, é provável que os edifícios e outras estruturas urbanas cumpram esse papel”, conta ela.

 

expomilano

 

No contexto do que a arquiteta conclui, a edição deste ano da Feira Mundial, a Expo Milano, que será realizada em maio na Itália, promete mostrar que esse futuro não está tão distante do grandes centros urbanos como se poderia pensar. Uma das atrações mais aguardadas por arquitetos do mundo inteiro que estarão no evento é o edifício que adorna o pavilhão dos anfitriões em 2015 (foto acima).

Criado pelo escritório Nemesi & Partners (foto acima), o projeto inovador de 9 mil metros quadrados será inteiramente construído com um material chamado Tiocem. Trata-se de um cimento que leva dióxido de titânio na sua mistura e possui a mesma propriedade de absorção de poluição que a fachada do hospital mexicano, porém, em escala maior. Segundo os arquitetos, que também incluíram nos planos uma matriz energética solar para a estrutura, o cimento “verde” pode ser utilizado também para pavimentar ruas ou construir pontes.

Será que a ideia pega nas cidades brasileiras?

 

Fonte: Planeta Sustentável

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